Voltar
Apresentação
Morreu, súbita e inesperadamente, há pouco mais de três anos, num período de fulgurante atividade e de grande reconhecimento nacional na qualidade de Vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto. Na Faculdade de Desporto, onde lecionava desde 1988, projetava a imagem do Professor Universitário que adotara fenomenologicamente a elocução de Abel Salazar Um médico que só sabe medicina, nem medicina sabe.
Não foram necessários muitos anos para que Paulo Cunha e Silva se convertesse no criador de uma unidade curricular de Introdução ao Pensamento Contemporâneo que, por meio de uma aproximação filosófico-estética, ancorada em processos de pensamento divergente, procurava desvendar o corpo paradoxal do desporto. Na verdade, o corpo constituía o eixo em torno do qual estimulava os estudantes a refletir sobre o desporto por meio do confronto com outros objetos culturais, como a dança, o teatro, as artes plásticas ou a literatura.
A aproximação ao território da arte foi-se consolidando através de parcerias com outras faculdades da Universidade do Porto, em particular com a Faculdade de Belas Artes, mas também com instituições da cidade, de que se destaca o Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Polinizando os mais diferentes palcos culturais com a sua corporologia e defendendo a criação artística como meio de exploração e criação de futuro, Paulo Cunha e Silva afirmou-se como um crítico e um influenciador do pensamento de dimensão nacional.
O programa que se desenhou para as comemorações pretende, justamente, homenagear o pensador do futuro, convocando múltiplos territórios e atores em aproximações oblíquas e travessas, ao gosto do Professor Cunha e Silva. Propõe-se, neste sentido, não apenas assinalar, reconhecer e divulgar o seu pensamento, mas também dar futuro à sua obra.

“Costumo dizer que tenho a sensação
de que cheguei aos 53 anos sem nunca ter
trabalhado. Porque sempre fiz o que gostava [...]”

ver vida e obra ver apresentação

“É o que se passa quando atravessamos uma
dobra, quando o saber se dobra sobre si.”

Mais Informações
Candidatura de Eventos
Memória Coletiva
Candidatura de Eventos

De a
Memória Coletiva

Fotografia de Abertura

Rui Duarte Silva

Organização

Design e Website

Paulo Cunha e Silva
1962-2015
Professor universitário e programador cultural
Costumo dizer que tenho a sensação de que cheguei aos 53 sem nunca ter trabalhado.
Porque sempre fiz o que gostava.


Paulo Cunha e Silva nasceu a 9 de junho de 1962 em Santiago Maior (Beja), onde, nesse período, estava colocado o seu pai, juiz de profissão; por esse motivo dizia ser um alentejano acidental. Devido ainda à profissão do pai, haveria de passar, durante a infância, por Aveiro, Portalegre e Braga, onde se fixaria aos seis anos e até à sua ida para o Porto para estudar medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Poderíamos entrever, no influxo da largueza da paisagem alentejana, os amplos horizontes que caracterizariam o seu pensamento, e na itinerância que marcou a sua infância, a inquietude que o faria procurar, na multiplicidade díspar das perspetivas, a unidade ou o encontro entre tópicos e elementos aparentemente inusitados.

Paulo Cunha e Silva foi um estudante brilhante tanto nas disciplinas das humanidades como nas de ciências. Ele, que tanto haveria de ficar ligado às artes performativas e ao desporto, dizia de si mesmo que as únicas disciplinas a que se considerava menos apto eram justamente as que exigiam capacidade performativa, como desporto, dança ou desenho.

O interesse pelas artes, de resto, nasceu precocemente e manifestou-se nas incursões que, a partir dos doze anos, fazia às livrarias do Porto, bem como nos artigos que, dois anos depois, começaria a escrever para o Correio do Minho. Também muito cedo começou a viajar e aos 26 anos, como diz em entrevista ao Público, já conhecia uns 50 países, todos os museus europeus e os principais do mundo.

Durante o tempo da sua formação em medicina, construiu fortes amizades, cimentadas nas tertúlias informais do café Piolho com colegas não só da medicina, mas sobretudo da Faculdade de Letras ou de Belas Artes; e assim foi alimentando o seu espírito multidisciplinar e de construtor de pontes entre universos aparentemente distantes. Terminou a licenciatura aos 24 anos, com 17 valores; permanecia, pois, um estudante brilhante, tendo ficado conhecido como o “Paulinho dos vintes”.

O seu percurso na Faculdade de Desporto, onde se doutorou com uma tese intitulada O lugar do corpo: elementos para uma cartografia fractal, levou-o da lecionação de Anatomia (a partir de 1988) às disciplinas de Pensamento Contemporâneo e de Corpo e Desporto no Mundo Contemporâneo, espelhando a abrangência dos seus interesses e virtualidades enquanto professor, característica, aliás, da figura tutelar do Instituto onde se formou.

No caso de Paulo Cunha e Silva, não se pode falar propriamente de um “trajeto” tomado no sentido de alguém que se encaminha numa certa direção, abandonando o que ficou para trás, pois entre a medicina, o desporto, a filosofia e a arte sempre procurou edificar pontes e criar metamorfoses. Uma expressão desta abordagem foi o projeto O Corpo e os seus Discursos, um ciclo de conferências acompanhado por uma exposição para assinalar o centenário de Abel Salazar, e onde o médico e o artista se cruzam fecundamente.

A sua colaboração com Serralves, na década de noventa, intensificou-se rapidamente e foi, por isso, com certa naturalidade, que haveria de ser escolhido para programador da Porto 2001 Capital Europeia da Cultura, para diretor do Instituto das Artes do Ministério da Cultura (2003-2005) e para conselheiro cultural da Embaixada de Portugal em Roma (2009-2012), onde permaneceu, como diz, três anos, três meses e três dias. Foi ainda vereador da cultura na Câmara Municipal do Porto (2012-2015). Via na função de programador também a de um criador e, por isso, procurou que a programação, de forma orgânica, levasse as partes integrantes a ser mais do que aquilo que são se funcionarem autonomamente e entregues à sua solidão cósmica.

O seu percurso singular haveria de culminar no reconhecimento público do seu trabalho: foi considerado Personalidade do Ano do Jornal Público e um dos 200 portugueses mais influentes pela revista Visão; recebeu as insígnias de Cavaleiro da Ordem das Artes e Letras, uma das principais condecorações honoríficas da República Francesa; postumamente, foi-lhe atribuída a Medalha Municipal de Honra da Cidade do Porto. Faleceu a 11 de novembro de 2015, mas a marca que deixou na cidade permanece viva em programas como Um objeto e os seus discursos, Cultura em expansão ou Fórum do futuro.

Citações em itálico: “Paulo Cunha e Silva por si próprio”, entrevista de Mariana Correia Pinto, Público, 2.10.2015

Outro evento em 2019 (2019) Um evento em 2019 (2019) Um evento em 2015 (2015) E em 1980 (1980) E outro em 1980 (1980)
Programa Completo
Dobras de Abertura Dobras Pensamento Dobras de Fecho Dobras Líquidas
Dobra 1 Paulo Cunha e Silva: uma melodia constante 03/03 · 18:00 · Casa da Música · Concerto Música Clássica
Intervenientes: Direção Musical Peter Eötvös · Violino Leticia Moreno
Dobra 2 À volta do ato médico (Curadoria: António Sousa Pereira) 04/04 · 18:00 a 09/05 · Inauguração: 03/04 · 18:00 · Reitoria da U.Porto · Exposição
Dobra 3 Em torno do ato médico 03/04 · 18:00 · Reitoria da U.Porto · Conversa
Dobra 4 Campo Desportivo e Campo da Arte – A tela (Lugar Motor) 10/04 · 18:00 · FADEUP · Conversa
Dobra 5 Revisitar as Cores do Corpo segundo Paulo Cunha e Silva, 13/04 · 18:00 · Casa-Museu Abel Salazar · Exposição
Dobra 6 O conhecimento entre a dispersão e a consciência (Lugar I) 08/05 · 18:00 · Reitoria da U.Porto · Conversa
Dobra 7 Paulo Cunha E Silva: Pensamento. Performance. Conhecimento. 12/06 · 18:00 · FADEUP · Exposição
Dobra 8 Navegar é preciso (do locus ao logos) 16/10 · 18:00 · FADEUP · Conversa
Dobra 9 Corpo e lugar: uma polaridade ilusória 23/10 · 18:00 · FADEUP · Conversa
Dobra 10 O lugar do corpo. Elementos para uma cartografia fractal 06/11 · 21:00 · Reitoria da U.Porto · Conversa
Dobra 11 Caosar: Pensamento de Paulo Cunha e Silva 13/11 · 21:00 · Reitoria da U.Porto · Conversa/lançamento livro/dança
Intervenientes: Fátima Vieira e Teresa Lacerda, orgs.

Balleteatro (a partir de excertos dos textos)


Balleteatro (a partir de excertos dos textos)

Dobra 12 Lançamento nº especial RPCD – Paulo Cunha e Silva: entre a indisciplinaridade e a transdisdiplinaridade 03/12 · 16:00 · FADEUP · Lançamento de livro
Dobra 13 Vamos lá baralhar isto tudo ou Paulo Cunha e Silva, travessura e obliquidade 03/12 · 16:15 · FADEUP · Música/poesia/dança
Dobra 14 Desafios à UniverCidade – Candidaturas espontâneas 01/03 · 0:00 · · Candidatura
Entidades Promotoras:

Janeiro a Dezembro


Dobra 15 Construção de memória coletiva 01/01 · 0:00 · · Depósito
Entidades Promotoras:

Janeiro a Outubro